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Mostrando postagens de agosto, 2020

adultescência

  Curioso o pensamento que temos quando estamos no auge dos nossos 15 anos. Achamos que sabemos de tudo. Achamos que nossas dores são as mais importantes, e que nossos problemas não têm solução. Fazemos tempestades em gotas d’agua, acreditamos que o mundo é um lugar cruel e injusto, queremos sempre ser os donos da razão. Achamos que o tempo passa demasiado devagar, e ansiamos pela maioridade. Ansiamos por sermos adultos. Donos de nós mesmos. Assim não precisaremos mais dar satisfação da nossa vida, nem pedir autorização dos responsáveis por nós, e que trabalharemos o suficiente para comprar e ter tudo aquilo que queremos. Aquilo que falhamos em ver, é que o tempo corre, como se tivesse doze pernas. Após os 15, o tempo cria asas, e daqui a pouco, você está sentado numa lanchonete, com 20 e tantos, quase trinta, com meia dúzia de amigos com quem ainda mantém contato, se perguntando o que foi que aconteceu com o tempo, e como foi que ele passou tão rápido. Neste ponto, nos seus so...

eu depois que você chegou

  Quando você chegou eu estava com medo. Estava aflita, insegura, novamente pensando mil vezes e ponderando se valia a pena abrir o coração tão cedo, nem tive tanto tempo para cuidar de mim e ter só a minha companhia e estava aprendendo a amar minha solitude. Pensei muito se devia dar uma chance para tentar ou aproveitar por mais um tempo minha solteirice. Você que é todo ansioso, estava cheio de medos, e de histórias mal resolvidas – assim como eu - você, que fala “pelos cotovelos”, fala mais que a boca, parece uma matraca, arrebentou as janelas e se forçou soturnamente para dentro da minha vida. Quando eu vi, tudo que era meu já era seu, e todas as minhas coisas e meu espaço já era menos meu e mais nosso, e meus travesseiros tinham seu cheiro. Você com seus papos inteligentes, e nenhuma lábia, ou malícia, reclamando de tudo que você detesta nesse lugar, e de como você amava o lugar de onde veio, e de como sentia saudades da boa vida que você tinha, saiu derrubando meus muros,...

Sobre perdão

  Eu estava na água. Não sei dizer se era um rio, um lago, uma piscina ou um copo. Batia meus pés freneticamente tentando manter minha cabeça acima da superfície, para que eu conseguisse minimamente puxar algum ar. O desespero por não conseguir encostar os pés no chão já me dominava, e estava impossível me manter calma. Não sabia como me acalmar. As ondas de água que chegavam até mim eram causadas pelo bater dos meus pés e braços. Não haviam outras ondas senão aquelas. Quando percebi aquilo, eu voltei para mim. Tive uma epifania. Eu poderia continuar a me debater e me afogar no mar das minhas dores para sempre, me desesperando, esperando uma ajuda externa, culpando todos os outros pelo “mal” que me causaram, e deixando minha própria vida estagnar, quando essas pessoas nem sequer devem saber que fazem parte do meu mar de mágoas; ou eu poderia me acalmar. Respirar fundo, e deixar meu corpo leve, o que me faria boiar sobre a água. O meu problema na verdade nunca foram as s...