Eu sempre estive namorando.
Aliás, estou a mais tempo envolvida em relacionamentos do que tive a chance de
me conhecer sem alguém ao lado. Percebo hoje, inclusive, como tem sido difícil
encarar minha vida só comigo.
Acho que todo esse tempo eu
apenas estive procurando por alguém que pudesse preencher os espaços do meu
vazio existencial. Alguém que encontrasse em mim coisas que eu não via em mim
mesma. Que me amasse e admirasse esses detalhes e encontrasse coisas boas em
mim, das quais valessem a pena sentir algum orgulho.
Penso hoje no quão solitário isso
soa.
Não acho que as coisas devessem
ser dessa forma. Minha dependência nos meus relacionamentos, ou a minha
“entrega” talvez não fosse pelo sentimento que eu tivesse por meu parceiro em
si, mas fosse a dependência de querer ter alguém ao meu lado que quisesse estar
comigo, e apreciasse a minha companhia.
Alguém a quem eu pudesse ter
alguma utilidade, e que valorizasse a mim, como eu não podia fazer por mim.
Veja bem, isso não é um lamento.
É apenas eu me dando conta que este tempo todo eu estive procurando suprir
minhas carências contando com as pessoas erradas. Eu deveria ser capaz de
suprir minha carência comigo mesma. Eu me apaixonar por mim, apesar dos meus
defeitos aceitando a pessoa que eu sou. Admirando minhas qualidades e minhas
peculiaridades.
Como posso cobrar de alguém que
me ame, quando eu sequer sou capaz de fazer isso por mim mesma?
Hoje eu não preciso de alguém que
me complete. Eu preciso ser completa. Então, quando esse dia chegar, eu
aguardarei ansiosamente para ter ao lado alguém que me transborde.
É isso.
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