Acho que estou indo bem e de repente tudo fica ofuscado, eu perco a noção e o controle, e aí o desespero toma conta.
Faz um bom desde o meu último pico - o mais feio foi no finalzinho de janeiro. Não imaginei nunca que eu voltaria a pensar em suicídio, ou mesmo que eu tentaria, mas eu fiz, e fiquei 5 HORAS conversando com o pessoal do CVV. O que me fez chegar à conclusão que eu precisava de ajuda.
Nem preciso falar sobre o valor absurdo que é a consulta com especialistas, não é? então, ainda estou numa lista de espera pra ser atendida. Nesse meio tempo, vou vivendo como dá. Um dia após o outro.
Confesso que mais uma vez, encontrei meu abrigo em Deus, que tem me acolhido e me carregado no colo nos dias mais difíceis, e isso tem me dado algum conforto.
Em alguns momentos tenho lapsos de lucidez, outros tenho lapsos emocionais e acabo metendo os pés pelas mãos: consigo analisar situações friamente, e depois de analisá-las eu tomo as decisões mais difíceis, então logo o lapso racional passa, o emocional toma conta, e acabo voltando atrás do que eu havia dito, arrependida.
Depois de ter terminado o mais longo de todos os relacionamentos que tive até hoje, fiquei incessantemente buscando por aquele sentimento descontrolado que me incendiasse. Encontrei algo parecido com o que eu buscava, mas, já diz aquele ditado: "nem tudo o que reluz é ouro", e claro, quebrei a cara. Gente, tava na cara que ia dar ruim, só eu que não tava vendo. Paguei pra ver, e ai fiquei assim, totalmente descontrolada, louca, indecisa, enfim, essa bagunça.
Conviver com esse monstrinho não é como todos pensam. Não estou triste 99% do tempo.
A real é que na maior parte do tempo eu simplesmente sinto NADA. Um grandessíssimo vazio, emocional, existencial. Estou no piloto automático, sem falar do peso constante do tamanho do mundo sobre as minhas costas, essa culpa - que nem sei do que. Essa vontade de sumir no mundo voando, e me fundir ao céu e às estrelas. Até mesmo as coisas que eu gostava de fazer hoje parecem insignificantes e sem sentido (Ler, ouvir música, orar, comer...). Estou dizendo à mim mesma que tenho que viver um dia após o outro.
E quanto às pessoas: são poucas as que eu goste ou queira manter qualquer tipo de contato. Quando vejo pessoas como "invasoras" ou como "ameaça" quero simplesmente fugir delas. Nem sempre eu consigo. E ignorar pessoas parece algo muito frio e antipático... Mas não quero ter que abrir espaço pra qualquer pessoa se achegar à mim Não sou uma boa companhia no momento. Nem quero ter que ter pessoas cagando regra logo agora. Falta gente querendo ouvir, porque todo mundo sabe todo. Todo mundo tem as respostas pra tudo. "Sai dessa" dizem eles, "ah, fica bem vai. Não gosto de ver você assim". Acredite,, eu também não. Mas não sei como sair daqui.
Tem dias que consigo.
Hoje não é um deles.
Mas quem sabe amanhã, né?
Comentários
Postar um comentário